Ni No Kuni - Wrath Of The White Witch

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Ni No Kuni - Wrath Of The White Witch

Mensagem por hawk666 em 03/05/12, 02:29 am



Nome: Ni no Kuni:
Wrath of The White Witch
Gênero: JRPG
Produtora: Level 5
Plataforma(s): Playstation 3, Nintendo DS
Versão analisada: Playstation 3, japonesa



O "Dragon Quest" de luxo


Ni no Kuni: Wrath of the White Witch é o resultado da parceria entre a Level 5, de Dragon Quest IX (DS) e Rogue Galaxy (PS2) com o estúdio Ghibli, que fez animações como "A Viagem de Chihiro" e "Princesa Mononoke". O título foi lançado primeiramente para o portátil da Nintendo, o Nintendo DS, e depois refeito para Playstation 3.

A fantasia mais fantástica


Ni no Kuni certamente possui um dos trabalhos artísticos nos games mais impressionantes dos ultimos tempos, ao menos se tratando dos japoneses. O jogo apresenta um claro cuidado e empenho dos produtores com os mínimos detalhes. No jogo, é possivel encontrar as mais variadas paisagens e climas, ambientes com detalhes que têm vida ou se movem com o vento e personagens que se comportam de acordo com o local e situação, como quando começam a tremer de frio no meio da exploração por estarem em trajes inadequados em um local cheio de neve. Isso tudo é apenas uma parcela do show de imersão apresentado pelo título da Level 5.

Em aspectos técnicos o jogo também não se sai mal, apresentando um cel-shaded, efeitos e movimentação que fazem o jogador pensar que está jogando um legítimo anime da Ghibli. Infelizmente o jogo não se mantém nessa qualidade o tempo todo, apresentando alguns cenários pobres vez ou outra, a nível não muito longe de remasterizações HD de jogos da geração passada. Em termos de CGs não há onde botar defeito, pois são simplesmente as animações da Ghibli em uma quantidade considerável ao decorrer da trama.

A parte sonora é outro show a parte, com trilha completamente orquestrada e bem característica do estúdio de animação. Um ponto interessante é que algumas faixas lembram também a trilha de "O Estranho Mundo de Jack", de Tim Burton com a Disney. Os efeitos sonoros também são bem competentes, e o som ambiente é extremamente bem utilizado, que, combinado com os cenários, criam a atmosfera perfeita para o jogador se sentir dentro daquele fantástico mundo em uma sensação não muito diferente da magia transmitida pelos filmes Ghibli em geral. O único aspecto negativo fica por conta da música de batalha, que ainda é boa, mas um tanto repetitiva depois de um tempo.

O jogo aposta não apenas em técnica e arte, como em cultura também. É possivel encontrar no jogo algumas referências e características da realidade, como a representação de uma cidade americana dos anos 60 e forte utilização de "Manzai", que é a arte humorística japonesa.

Para adultos e crianças


Ni no Kuni apresenta uma atmosfera com forte ênfase em aventura e sentimentos puros, um trabalho dedicado para toda a família, outro aspecto do estúdio Ghibli. Mas isso não significa que a história é pobre ou boba, pois ela é repleta de reviravoltas, inúmeros momentos de lições e reflexões, muitos jogos de palavras e uma narrativa digna de longa metragem, resultando em um emocionante e excelente material para a criançada absorver e os mais velhos apreciarem. Infelizmente o rítmo cai um pouco na reta final, parecendo ficar um tanto corrido, além do final simples, para não dizer mal detalhado.

Os personagens contam com um excelente trabalho de dublagem dos japoneses e são em geral bem marcantes, sendo fáceis de serem lembrados em pouco tempo. O destaque do elenco vai para o protagonista Oliver, que passa por um amadurecimento tão sutil que quando o jogador menos percebe, está acompanhando o garoto bem mudado - para melhor, é claro. Apesar da boa dublagem, o jogo sofre do fato das cenas dubladas serem raras, chegando ao ponto de algumas cenas principais mudarem repentinamente para apenas texto sem nenhuma lógica.

A passos largos


Ni no Kuni possui uma interface bastante amigável, oferecendo diversos mapas, dicas, indicadores e medidores para o jogador não só evitar se perder, como também para sobrar mais tempo pra fazer diversas atividades ao invés de gastar procurando por elas, ou até mesmo evitar ir ao objetivo sem querer e arruinar seu ritmo de jogo. A produtora não mediu esforços para deixar seu produto agradável, e o resultado é um jogo bastante dinâmico e um dos títulos do gênero com o melhor ritmo de progressão dos últimos anos - o jogo é uma verdadeira caixinha de surpresas que está sempre disposta a surpreender o jogador, seja pelo seu leque extenso de atividades, seja por introduzir recursos e mais recursos mesmo quando se supõe que não há mais o que melhorar, seja pela excelente sensação de interação e exploração.

A principal atividade do jogo é, basicamente, usar magias. Além do uso básico de magias em ataque e cura, Oliver, o protagonista, usa os inúmeros feitiços disponíveis para ir resolvendo os problemas de outras pessoas ou quebra-cabeças para prosseguir, como fazer uma ponte destruída voltar no tempo para ficar usável, usar a magia de fogo para derreter o gelo no caminho, e até mesmo a magia de cura para tratar crianças machucadas. Com esse aspecto há a única parte em que a interface do jogo incomoda um pouco, que é quando o jogador só pode fazer alguma ação depois que faz um breve evento-dica começar antes, não importando se quem joga já sabe ou se já tem o que precisa em mãos. Mas nada que prejudique o andamento geral, já que na maioria das vezes não passa de ter que apenas interagir/conversar com o alvo para iniciar o evento em questão.

As dungeons do jogo são um dos destaques de Ni no Kuni. Além de bem variadas se tratando de ambientação, todas elas possuem desafios diferenciados, seja com um puzzles, minigames, labirintos complexos ou armadilhas nos terrenos, além dos óbvios inimigos que perambulam e baús escondidos. Repetição e enjôo certamente não são palavras que alguem vai encontrar no dicionário de quem joga a mais nova obra da Level 5.

As batalhas do jogo, diferente das aparências, são bem complexas e com dificuldade bastante elevada, principalmente a partir da metade do jogo. Ni no Kuni é basicamente em turnos com movimentação livre dentro de uma arena, podendo esquivar de alguns ataques, com outros do grupo controlados pela inteligência artificial. Além de utilizar os personagens humanos, é possível usar os Imajinns, uma espécie de "Pokémon" do jogo. Há inúmeras espécies de Imajinns, além de uma espécie de horóscopo, que influenciam no potencial do monstro com o usuário e no dano desferido ao inimigo. Os Imajinns, capturados em batalhas ou prêmios de eventos, podem ser evoluídos para versões mais poderosas, com direito ao jogador escolher entre diferentes resultados na hora da evolução final. Com a possibilidade de carregar até 3 Imajinns por personagem, mas só usar um de cada vez, o jogo, com sua alta dificuldade, vai fazer o jogador montar bem seu time e suas estratégias, porque, além de cada Imajinn ter um tempo limitado de utilização, todos eles compartilham do mesmo HP e MP do respectivo mestre. Recrutar o máximo de imajinns, mudar a escalação de acordo com o local e situação e tomar o controle de outros humanos da party para usar suas habilidades e imajinns são a chave para prosseguir, ou ao menos não morrer tão facilmente. O único ponto que incomoda um pouco fica na hora de trocar de líder, já que é impossível ir direto para um Imajinn, é preciso primeiro selecionar o humano, e só depois o monstrinho em questão, um tanto burocrático, e faz diferença em lutas decisivas com timings cronometrados.

O jogo também tem uma pitada da série Monster Rancher e dá ao jogador a possibilidade de aumentar os atributos e a afeição de um imajinn alimentando o mesmo. O mais interessante desse sistema, é que quanto maior a afeição do bicho, maiores as chances dele defender ataques dos inimigos automaticamente, por ter uma forte vontade de proteger seu mestre.

O grupo pode ser configurado para agir durante diferentes situações, como lutar sem ligar para MP, lutar dando cobertura ao líder ou lutar com prioridade em cura. Além disso existem os shifts, que servem como ordens de última hora para toda a party entrar na total defensiva ou ofensiva, esse último um ótimo recurso tático contra chefões. Apesar de maleável, o sistema não é completo, tampouco perfeito. A IA leva excessivamente ao pé da letra algumas configurações, como por exemplo um personagem configurado para dar prioridade em cura simplesmente ficar só pronto para curar, mesmo quando o grupo está longe do perigo. A falta de uma configuração para o computador usar itens também pesa em partes mais avançadas de jogo. Pra completar, todas as configurações táticas disponíveis simplesmente não podem ser alteradas fora das batalhas, sendo preciso estar lutando e no controle de um líder para tal. Não apenas as configurações como também as habilidades de cura de outros personagens que não sejam o Oliver não podem ser usadas fora das batalhas, o que deixa o jogo desnecessariamente mais difícil.

A navegação do jogo é feita através do clássico world map. O melhor de Ni no Kuni é a ótima sensação de liberdade, pois o mesmo está sempre "largando" o jogador nos imensos continentes para explorar por extras antes do objetivo, além de muito raramente limitar o caminho a ser percorrido. Pelo contrário, o jogo algumas vezes dá inúmeros objetivos, e deixa a ordem para concluí-los nas mãos do jogador. Além disso, o jogo oferece inúmeros meios de fast-travel, seja por meios de transportes ou magias, deixando o título ainda menos cansativo do que ele já não é.

Expandindo sem parar


Ni no Kuni dura cerca de 40 a 45 horas apenas na campanha principal, tudo dependendo de como o jogador dominou seus Imajinns e outros diversos recursos.

Além do percurso obrigatório, há muitas atividades opcionais esperando pelo jogador, como um cassino, um campeonato ao melhor estilo "Liga Pokémon", tesouros espalhados pelo mundo a la "Hot and Cold" de Final Fantasy IX (PS1), cavernas e florestas escondidas no world map que guardam baús e índios, elementos enigmáticos como pedras e monumentos que só são explicados bem mais adiante, mais de 300 imajinns para colecionar, um sistema de alquimia que serve para criar melhores equipamentos, itens e comida, e side quests, dezenas e dezenas de side-quests, que são tão variadas em conteúdo que é impossível resumir do que se tratam elas. O mais interessante disso tudo é que a maioria das atividades extras dão recompensas valiosas, com destaque ao sistema de side-quests: a cada quest concluída, o jogador ganha pontos, que podem ser trocados por recursos, como habilidade de correr mais rápido, ganhar mais experiência em batalhas e maiores chances dos inimigos derrubarem itens raros.

Outra dimensão


Ni no Kuni: Wrath of the White Witch é a prova de que o gênero ainda pode evoluir sem se descaracterizar, e de que os japoneses ainda são capazes de produzir excelentes títulos de grande escala, bastando apenas boa vontade. Um título riquíssimo em conteúdo jogável, didático e até mesmo literário, emocionando e prendendo quem joga e quem vê do começo ao fim.

Nota: 9,5



Postado originalmente no Jogador Pensante


Última edição por hawk666 em 08/05/12, 01:08 am, editado 1 vez(es)
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Re: Ni No Kuni - Wrath Of The White Witch

Mensagem por djcoston em 03/05/12, 06:40 pm

O "Hot and Cold" desse jogo parece ser interessante... hmmm
Logo, logo jogarei a versão japa desse game. Queria esperar o americano, mas pelo jeito só daqui 12472513083 anos para traduzirem todo ele!
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djcoston

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