Como o OUYA falhou em corresponder ao hype

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Como o OUYA falhou em corresponder ao hype

Mensagem por Daniel em 28/06/13, 12:49 pm

Como o OUYA falhou em corresponder ao hype
A trajetória do console que passou de revolucionário a motivo de piada na internet.



Foi lançado em lojas americanas, canadenses e inglesas nessa semana o OUYA, console baseado em Android que é um dos maiores sucessos do Kickstarter: ele arrecadou mais de 8,5 milhões de dólares ao longo da campanha.

A proposta é sedutora: ele é voltado para jogos indies, o que facilita também o desenvolvimento e a publicação de games novos. Com isso, já chegou às lojas com mais de 170 games disponíveis, todos gratuitos. E custa só 99 dólares, um alívio para os bolsos de todo mundo comparado ao Xbox One e ao PlayStation 4. Durante a campanha, as cotas de 95 dólares já davam ao backer a garantia de que receberia o console em casa meses antes de chegar às lojas. Três meses, mais especificamente, já que ele estava prometido para esse grupo para março.


Então, o OUYA finalmente chegou às grandes redes de games e eletrônicos: BestBuy, Gamespot, Target, Amazon (na última, está esgotado). Isso seria apenas o curso natural das coisas, se não fosse o inaceitável fato de que, até hoje, muitos dos que apoiaram o projeto no Kickstarter não receberam o console até agora.

Para ajudar, as reclamações quanto ao suporte só aumentam, especialmente em relação à falta (ou ausência) de comunicação. Um e-mail enviado para o suporte recebe a mensagem automática de que a resposta vai demorar entre dois e três dias úteis. Sinal de que a demanda está grande – o que também é um mau sinal.

Onde foi que o OUYA, que tinha tudo para ser o maior exemplo de que crowdfunding dá certo em proporções gigantescas, errou na mão?

Foram uma série de fatores que contribuíram para a derrocada do hype do OUYA. Todos validando ditados populares que nossas mães repetiram a vida toda e sempre insistimos em ignorar.

Um passo maior que a perna

A gente costuma achar que ter dinheiro resolve todos os problemas da vida, especialmente quando você é um desenvolvedor que tem uma ótima ideia e nenhum capital para colocá-la em prática.

Quando há investidores, significa que há pessoas esperando resultados. E, no caso de crowdfunding, quanto mais dinheiro, mais gente esperando resultados. Aumenta a expectativa, a cobrança e, dependendo do caso, a demanda – já que, além de apoiar financeiramente uma ideia na qual você acredita, normalmente as cotas mais procuradas são as que darão aos backers o produto final.

Acontece que uma empresa pequena tem a capacidade de produzir uma quantidade limitada de produtos. No final da campanha do Kickstarter, o OUYA já tinha quase 60 mil unidades comprometidas, além das destinadas às lojas físicas.

Então, há uma “superlotação” de pedidos e a empresa não dá conta de todos, seja na fabricação (há vários relatos de consoles entregues com defeito) ou no transporte. Os clientes ficam insatisfeitos e reclamam no suporte, que fica sobrecarregado  e não consegue responder ninguém, seja a respeito de data de envio, de reembolso ou problemas técnicos. A coisa toda vira uma bola de neve de problemas que nem se sabe por onde começar a resolver.



A voz do povo é a voz de Deus

É um longo caminho de Hong Kong até qualquer lugar do mundo (ironicamente, inclusive a própria Hong Kong; li um tuíte para a empresa em que um homem reclamava de ainda não ter recebido seu OUYA… e ele mora lá), mas alguns backers conseguiram receber seus consoles antes do lançamento. Foi quando começaram a surgir os primeiros reviews na internet.

E eles não foram nem um pouco animadores.



O The Verge deu nota 3,5 para o console e o considerou inacabado; o Engadget, que testou a versão de desenvolvedor, concordou e acrescentou que o OUYA precisava de muitas melhorias antes de ser lançado nas lojas; o Digital Foundry se perguntou “ por que gastar 99 dólares em outro aparelho quando você pode ter o mesmo resultado no seu celular?”. A resposta da CEO Julie Uhrman foi, basicamente, a que todo mundo já esperava (e, inclusive, apontou nos reviews): as primeiras versões ainda estavam sendo aprimoradas antes do lançamento oficial.

Isso sem contar nos comentários soltos pela web de pessoas que receberam o console e relataram problemas para conectar ao Wi-Fi, controles que não funcionavam, etc.

O sucesso do OUYA foi, nesse ponto, também uma causa de sua derrocada. Afinal, todo mundo estava esperando para saber como era o tal console indie, então os reviews foram recebidos não como as avaliações de um produto em fase beta, mas como a versão final, de consumidor, seria.

Além disso, a gente sabe como as pessoas podem ser cruéis na internet.

O OUYA passou de um console indie que estava buscando uma direção com ajuda de seus apoiadores para uma bela dor de cabeça e motivo de piada.

Cão que ladra não morde, mas dê tempo ao tempo

O OUYA foi apresentado como um console revolucionário, não em hardware, mas em tudo o resto. Apesar das configurações simples, ele tinha (ou melhor, tem) a proposta de levar os jogos indies para a sala de estar, para concorrer com tempo na TV com os consoles de grandes fabricantes (vocês sabem quais).

O console se apoiou no alto preço dos outros consoles e seus jogos para cativar os gamers. São apenas 100 dólares e uma infinidade de jogos gratuitos, além da facilidade de desenvolver para a plataforma – ou seja, novos games o tempo todo por apenas 100 dólares iniciais.

Ainda não deu tempo para surgirem jogos exclusivos para o OUYA e, por enquanto, ele se apoia nos existentes para Android para viver.

Não é o bastante. E é difícil deixar de ser cético e acreditar que, algum dia, será. A impressão que fica é que será apenas um console baratinho para jogar os games do smartphone na televisão, que vai ter graça só enquanto for brinquedo novo.

Mas a verdade é que não deu tempo nem dos financiadores receberem seus consoles e eles ainda receberão atualizações que, esperamos, mostrem o que o OUYA veio fazer em casa. O que também revela que, de fato, o console foi lançado inacabado – muito inacabado. Isso, somado à frustração de não ter recebido a encomenda no tempo prometido, a um suporte pouco eficiente e ao balde de água fria nas expectativas de como ele é na prática, faz com que o hype do OUYA esteja terminando antes mesmo do pacote sair de Hong Kong.


Última edição por Daniel Z em 25/12/13, 11:47 am, editado 10 vez(es)
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Re: Como o OUYA falhou em corresponder ao hype

Mensagem por Daniel em 28/06/13, 12:51 pm

Fonte: http://tecnoblog.net/133817/ouya-fail/

E aí?
Nasceu morto?
É apenas o início e temos que aguardar mais algum tempo?
Matéria muito sensacionalista?
Android irá vingar fora de celulares e Tablets?
Todas as alternativas?

Deixe sua opinião!  
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Re: Como o OUYA falhou em corresponder ao hype

Mensagem por Krod em 28/06/13, 01:10 pm

Se os caras forem espertos o suficiente, eles se focam em filtrar todos comentários da comunidade para fazer um patch massivo ainda no primeiro mês. Tem vários problemas aí que tem a ver com uma usabilidade estética.

Meu hype era zero. Acho engraçado terem hypado nas alturas um negócio que era claramente um celular numa caixinha com um controle junto.
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Re: Como o OUYA falhou em corresponder ao hype

Mensagem por Whitewolf em 28/06/13, 01:26 pm

Compre um Xperia Play, compre um joypad mobile, vai sair mais caro, mas será infinitamente melhor. Eu nunca esperei nada desse tal Ouya, pra mim não passa de um tablet com controle que se pode ligar na tv.

Prefiro o Neo Geo X > 120,00 R$ mais eficiente!
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Re: Como o OUYA falhou em corresponder ao hype

Mensagem por Daniel em 28/06/13, 01:40 pm

Até hoje, não rodei nenhum jogo no meu S3 Sad 
Não vou com a cara desses jogos Indies de Android.
E os de empresas mais grandes, não chegam a ser tão bem elaborados e bem feitos como os de consoles e portáteis. A não ser alguns ports safados vindos do PSP e DS, mas aí vale mais a pena jogar por lá, como possuo os dois.
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Re: Como o OUYA falhou em corresponder ao hype

Mensagem por MrLinx em 17/07/13, 06:09 pm

Como aproveitar o seu OUYA:



Neutral
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Re: Como o OUYA falhou em corresponder ao hype

Mensagem por Gigas em 17/07/13, 06:28 pm

Pelo visto, mais um fail do kickstarter, sempre achei essa história meio um chamariz para golpistas
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