Ys: Foliage Ocean in Celceta

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Ys: Foliage Ocean in Celceta

Mensagem por hawk666 em 06/10/12, 11:55 am




Nome: Ys: Foliage Ocean In Celceta
Produtora: Falcom
Gênero: Action RPG
Plataforma(s): Playstation Vita
Versão analisada: Japonesa



As aventuras em Celceta



Ys: Foliage Ocean In Celceta é, resumidamente, o quarto jogo da série. Não se trata de remake nem port, já que esse é o primeiro "Ys IV" oficial da Falcom; os outros eram apenas versões licenciadas feitas por outras produtoras (Ys IV: Mask of the Sun pela Tonkin House e Ys IV: Dawn of Ys pela Hudson).

Bonitinho (aka feio arrumadinho)



Ys IV não é um bom exemplo de competência técnica, já que seus gráficos são bem simples, aspectos de física como movimentação e colisão bem precários (apesar de não afetarem na fluidez do gameplay) e quedas de framerate em alguns momentos, mas nada muito brusco ou constante que chega a prejudicar.

Em compensação, o título é um verdadeiro show artístico, com um trabalho magnífico de iluminação e noção de horizonte através de técnicas de câmera, ressaltando bem as belas e variadas paisagens e o estilo visual que simula um tom suave de aquarela.

Os recursos do Vita também são muito bem utilizados, deixando a navegação em menus e visualização dos mapas muito mais dinâmicas graças as telas de toque.

A trilha sonora pode ser resumida em: Selo Falcom de Qualidade. O que isso quer dizer? Ouvir uma das faixas do jogo já responde essa pergunta:



Outro quesito que deixa a desejar no jogo é a falta de dublagem (e movimentação labial) durante as falas. A produtora colocou vozes durante as batalhas, em uma ou outra frase nas cutscenes e algumas palavras prontas como "Vamos lá!". Esse meio termo acabou deixando o jogo com um forte e desnecessário aspecto de "produção pobre".

Enredo: ruim sem, pior com



Ys IV conta as aventuras do protagonista Adol no continente chamado Celceta.

Adol é daqueles protagonistas mudos que tem como intuito fazer o próprio jogador entrar na pele dele, e o jogo faz isso muito bem - Adol possui um carisma imenso graças às engraçadas e variadas escolhas de falas oferecidas pelo jogo ao longo dos diálogos, deixando o jogador não só viver a aventura mais profundamente como até mesmo moldar levemente a personalidade do personagem.

O enredo do jogo conta uma história bem simples e com reviravoltas previsíveis, existindo claramente apenas como desculpa pro gameplay: Adol deve se aventurar e desvendar os mistérios de Celceta...de novo, pois ele perdeu a memória! Ao longo da jornada, ele precisa ir coletando esferas que guardam pedaços de suas lembraças, ajudando a esclarecer alguns detalhes da trama e do passado do protagonista. Se já não bastasse a simplicidade, a reta final é um tanto corrida e o final é uma das coisas mais esculaxadas que já criaram em pleno século 21, comparável às súbitas telas de "Game Over" de vinte anos atrás. No final, o enredo desse jogo só serve para o jogador conhecer um pouco da infância de Adol.

Os personagens são outro aspecto infeliz do jogo, com um elenco até simpático e grande, mas extremamente mal explorado. As ações que os personagens tomam simplesmente não convencem pela simples falta de informações e explicações do jogo. Mas a pior parte fica mesmo com o elenco de vilôes, que aparecem do nada e desaparecem com menos lógica ainda.

Linhagem dos aventureiros



Ys IV é basicamente explorar o imenso Celceta, explorando novas áreas, conhecendo novos povos e coletando itens e outros tesouros.

As batalhas são basicamente como em outros Action RPGs, com golpes comuns, habilidades especiais como combos e projéteis, esquiva, defesa e outras mecânicas mais avançadas, como uma espécie de "bullet time" chamado flash guard/move, ao ativar os recursos defensivos na hora certa. Além dos controles completos e do rápido e fluido gameplay, Ys IV ainda traz 6 personagens com jogabilidade bem distinta entre eles, garantindo uma variedade e disponibilidade de estilos de jogo bem maiores. Para completar, cada personagem carrega uma espécie de elemento, que funciona como a lógica de "Tesoura-papel-pedra", garantindo melhor eficiência em batalha e habilidades extras dependendo dos personagens escolhidos para a linha de frente.

Um dos destaques na hora da ação é o sistema de party do jogo. O sistema é bem simples, mas funciona muito bem: o jogador escolhe se quer ficar na defensiva ou na ofensiva. Na primeira opção, os personagens do grupo não fazem nada, em troca de não serem acertados por um ataque em momento algum. Já no modo ofensivo, eles partem para cima de tudo e todos, sacrificando seus HPs. Além disso, eles coletam itens espalhados pelo cenário como ação primária e não morrem de forma alguma (ficam sempre com 1 de HP), não necessitando que o jogador banque a babá. Com isso, fica nas mãos do jogador o estilo de jogo: ficar só na defensiva, se virar sozinho e garantir "reservas", partir pra ofensiva e não trocar de personagem em momento algum, ou revesar entre defesa e ataque na hora certa e dominar por completo uma batalha, resultando em um título maleável para todos os gostos, mas que não deixa ninguém na mão.

A progressão do jogo é de um adventure open world, como nos Zeldas antigos: Um grande mapa com liberdade total de exploração e ordem de avanço, vários caminhos secretos, dungeons opcionais e áreas só acessíveis depois de adquirir um certo item, personagem ou alcançar um ponto da história. Por ser um jogo onde o principal objetivo é completar o desenho do mapa geral de Celceta, a descoberta de qualquer coisa resulta no registro dessas informações no papel, que por sua vez, garantem prêmios em dinheiro após uma certa porcentagem completa, resultando em um gameplay extremamente viciante e imersivo, e chamando o jogador, de forma irresistível, a fazer 100% do jogo.

Outro ponto positivo é a variedade de gameplay. Toda dungeon ou nova área, o jogador é submetido a desafios bem variados, envolvendo minigames com a tela de toque ou quebra-cabeças mais clássicos como ativar interruptores. Essa variedade acaba envolvendo também os personagens, já que cada um possui uma habilidade especial única que pode ser crucial em determinado momento, como cortar plantas ou destruir paredes para formar passagens, fazendo o jogador nunca ficar preso a um só grupo de personagens ou cair na mesmice da ação. Os chefões também não ficam atrás em variedade, pois todos eles possuem formas diferenciadas de serem derrotados.

A dificuldade do jogo é um ponto completamente adaptável ao jogador: Há desde o easy, para aqueles que querem curtir uma exploração sem muitas batalhas, ao Nightmare (very hard), modo que fará os chefões serem extremamente poderosos e demorados, algo a nível de jogos sádicos como Dark Souls, por exemplo. Por ser uma característica praticamente perdida nos jogos atuais do gênero, Ys IV acaba brilhando nesse aspecto, principalmente para os masoquistas de plantão.

O único aspecto do gameplay que deixou muito a desejar foi um dos sistemas de jogo: o de dia e noite. O sistema consiste em mudar, em tempo real, a iluminação do jogo em um loop de dia - tarde - noite - manhã. O problema é que essa mecânica é 95% estética, pois existem apenas uma side-quest e um inimigo que dependem de uma hora específica; de resto, serve apenas para o jogador curtir a mudança sutil de paisagem por conta da iluminação.

Mishishi!



Ys IV tem uma duração de até 50 horas se for feito tudo que é necessário para obter todos os troféus do jogo. Inclusive, o título é o primeiro da Falcom a ter o sistema de conquistas das plataformas Sony - até então, a empresa fazia seu próprio sistema de premiações, presentes nos últimos jogos da série The Legend of Heroes.

O jogo conta um um leque grande e bem variado de extras, que vão desde trivias como informações extras de algum personagem a brincar de esconde-esconde com um cameo de outra série da Falcom, Trails. Mas o principal atrativo fica nas side-quests, que além de serem tão variadas quanto o gameplay da quest principal, trazem pequenas e divertidas histórias paralelas dos NPCs.

Para aqueles que querem extras focados no desafio, há também o modo Boss Rush, disponível a partir do New Game +, permitindo o jogador lutar contra todos os chefões do jogo com limites de itens e quebrar recordes de tempo.

Até a próxima aventura



Ys: Foliage Ocean in Celceta é uma preciosidade para o atual e fraco acervo de jogos do Playstation Vita, sendo facilmente o melhor jogo disponível para o sistema até então. Um action RPG obrigatório não apenas para os fãs da franquia ou do gênero, mas para qualquer fã de videogame.

Nota: 9,5



http://jogadorpensante.com/2012/10/06/tomios-review-ys-foliage-ocean-in-celceta/
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hawk666

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Re: Ys: Foliage Ocean in Celceta

Mensagem por djcoston em 11/10/12, 03:34 pm

Mais uma grande review cara, parabéns!!! hooray
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djcoston

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